
Uma auditoria terceirizada realizada pela Prefeitura de Marília (SP) revelou um desvio de R$ 2,7 milhões dos cofres públicos na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. O relatório final da sindicância, divulgado no Diário Oficial do Município neste sábado (25), detalha as supostas irregularidades descobertas ao longo de mais de 1.200 páginas, abrangendo o período de 2017 a 2020, quando Eduardo Nascimento (PSDB), atual presidente da Câmara dos Vereadores do município, liderava a pasta. O próprio Nascimento é citado como um dos beneficiários do esquema.
A investigação teve início após a administração municipal receber denúncias relacionadas à emissão de notas fiscais fictícias para serviços não realizados pela Secretaria, juntamente com casos de superfaturamento. O relatório final, elaborado pela Comissão Especial da Sindicância, concluiu que há indícios suficientes de infrações ético-disciplinares, ilícitos penais e atos de improbidade administrativa praticados por agentes públicos.
Dentre as supostas irregularidades destacadas estão desvio de valores provenientes de taxas de inscrições de atletas, pagamento de notas fiscais por serviços não executados (notas fiscais frias), superfaturamento de serviços contratados, despesas executadas com diversas irregularidades, dispensa irregular de licitação, pagamento de bolsas-atleta para não atletas, saques acima dos valores devidos sem prestação de contas, desvios de verbas de eventos como jogos regionais e jogos abertos da juventude, emissão de cheques pelo secretário para saque na boca do caixa por funcionários da pasta, e despesas sem comprovação de execução dos serviços.
Além de Eduardo Nascimento, outros cinco servidores públicos foram implicados nas irregularidades, e mais de 20 empresas são apontadas como envolvidas nos supostos esquemas.

Com base nas informações apresentadas pela sindicância, o prefeito Daniel Alonso (sem partido) acolheu o parecer da comissão, determinando a abertura de processos administrativos disciplinares e punitivos, bem como o início de processos para a devolução de verbas. O caso também foi encaminhado ao Ministério Público.
Em resposta às acusações, Eduardo Nascimento, atual presidente da Câmara de Marília, denunciou os malfeitos da administração municipal, classificando a auditoria como “criminosa”. Ele afirmou não haver provas substanciais nas acusações e prometeu apresentar todos os documentos necessários ao Ministério Público e à Justiça. Nascimento finalizou afirmando sua intenção de responsabilizar aqueles que utilizam a prefeitura para atacar, falsear e caluniar adversários, denominando-os como “bandidos”.
Em vídeo que circula pelas redes sociais, Eduardo Nascimento, defende servidores que foram citados, e afirma que o fato se trata de perseguição pessoal. Confira o vídeo abaixo:
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