Uma pesquisa desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Administração de
Organizações Inovadoras (PPGA) da Universidade de Marília (Unimar), em parceria com a Associação das Empresas de Serviços de Tecnologia da Informação de Marília e Região
(Asserti), revelou um cenário que acende um importante alerta para o setor de tecnologia
local, já que em apenas duas, entre as 83 empresas associadas à entidade, mencionam
os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em seus sites institucionais.

O estudo foi conduzido pelos professores do PPGA Rafael Gutierres Castanha e Roberto
Cavallari Filho, que analisaram os portais oficiais das empresas vinculadas à Asserti com o objetivo de identificar a presença da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas
(ONU) e de seus 17 ODS nas estratégias de comunicação institucional.

Segundo o docente, Prof. Dr. Roberto Cavallari Filho, a pesquisa também revelou
contrastes importantes na forma como as empresas do setor de tecnologia comunicam seu
alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O levantamento
mostrou que a Scaffold Education divulga projetos sociais alinhados a sete ODS distintos, enquanto a TOTVS declara compromisso institucional com a Agenda 2030. Em
contrapartida, a maioria das empresas analisadas não apresenta qualquer referência
pública ao tema, e em alguns casos os sites estavam indisponíveis ou não puderam ser
localizados”, conta.

O estudo também reforça a relevância do Ambiental, Social e Governança (ESG) como um conjunto de práticas que avaliam o desempenho das empresas sob a ótica da
sustentabilidade, da responsabilidade social e da governança corporativa. Cada vez mais,
esses critérios influenciam decisões de investidores, parceiros e consumidores,
especialmente no setor de tecnologia e inovação.

Para o docente, Prof. Dr. Rafael Castanha, a ausência de menções aos ODS não
necessariamente indica a inexistência de práticas sustentáveis, mas pode refletir uma
lacuna na comunicação estratégica das organizações. “Esse diagnóstico aponta riscos e
oportunidades. O risco está na baixa visibilidade das empresas em um mercado cada vez
mais orientado por critérios ESG. A oportunidade reside no protagonismo que a Asserti
pode assumir ao orientar e valorizar seus associados em torno da agenda global de
sustentabilidade”, destaca.

Como encaminhamento prático, a pesquisa propõe um plano de ação estruturado em três
horizontes. No curto prazo, a sugestão é a realização de workshops de sensibilização e
valorização das práticas já existentes entre as empresas associadas. Em médio prazo, o
estudo indica a implementação de projetos piloto coletivos que integrem tecnologia,
inovação e os ODS. Já no longo prazo, a proposta é a criação de um Observatório AssertiODS, com o objetivo de monitorar e divulgar, anualmente, a evolução do setor em relação à agenda de sustentabilidade.

De acordo com a presidente da Asserti, Giulianna Marega Marques, o levantamento
contribui diretamente para o fortalecimento institucional da entidade e de suas associadas.“O estudo evidencia desafios, mas também mostra que já temos exemplos positivos dentro da nossa própria rede. Isso nos dá condições reais de inspirar, orientar e estimular as empresas associadas a avançarem de forma consistente na agenda de inovação e sustentabilidade”, afirma. Segundo ela, o relatório completo será disponibilizado para consulta dos associados.

Segundo o Reitor da Unimar, Dr. Márcio Mesquita Serva, a pesquisa reforça o papel da
Unimar como agente ativo na produção de conhecimento aplicado. “Isso porque,
conectamos a academia, setor produtivo e desenvolvimento regional, contribuindo para
reflexões estratégicas que impactam diretamente o futuro das organizações e da
sociedade”, finaliza.

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