Todo fim de ano repete o mesmo roteiro. O consumo acelera, o cartão gira, o parcelamento parece inofensivo e a sensação é de que “depois a gente vê”. O problema é que o “depois” tem data marcada. Janeiro chega sem piedade trazendo IPTU, IPVA, matrícula e material escolar, reajustes de serviços e uma fatura que não cabe mais no bolso. Nesse cenário, falar em crédito responsável não é discurso moralista. É necessidade básica de sobrevivência financeira.

Crédito não é renda. É antecipação de consumo que cobra juros, taxas e, muitas vezes, silêncio. O consumidor médio entra no fim do ano pressionado por promoções agressivas, ofertas relâmpago e promessas fáceis de pagamento. Pouco se fala sobre o custo real dessas escolhas ou sobre a soma invisível dos pequenos parcelamentos que, juntos, viram um peso difícil de sustentar. Quando janeiro chega, a conta não é apenas financeira. É emocional.

O crédito responsável exige informação clara, limites reais e decisões conscientes. Exige também que o mercado abandone a lógica de empurrar produtos financeiros como se fossem soluções mágicas. Não são.

m muitos casos, são o primeiro passo para o superendividamento. E aqui mora um ponto sensível: a defesa do consumidor, que deveria atuar de forma preventiva e firme, costuma reagir tarde demais, quando o problema já explodiu. A atuação é lenta, burocrática e frequentemente tímida diante de práticas que se repetem ano após ano.

Enquanto isso, o consumidor fica sozinho entre cobranças, juros acumulados e a sensação de culpa por ter acreditado em facilidades irreais. Crédito responsável não é negar o consumo, mas respeitar limites, planejar gastos e exigir transparência. É entender que dezembro não termina em dezembro e que janeiro sempre cobra entrada.

Se o crédito fosse tratado com a seriedade que merece, menos famílias começariam o ano no vermelho e mais pessoas teriam espaço para recomeçar com dignidade. Responsabilidade no crédito não é favor. É direito.

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