
O escritor e autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos em São Paulo. A informação foi divulgada pelo HCor (Hospital do Coração), na manhã desta terça-feira (7), onde o dramaturgo estava internado.
Segundo o hospital, ele faleceu devido a complicações de insuficiência renal crônica. Benedito lutava contra a condição há três anos e apresentava histórico de internações em decorrência de infecções recorrentes do trato urinário.

Em janeiro deste ano, o escritor, à época com 94 anos, recebeu alta após ser hospitalizado “em decorrência de uma infecção urinária associada a um quadro de insuficiência renal crônica”.
Benedito ficou conhecido por um currículo recheado de novelas de sucesso, como “Rei do Gado”, “Terra Nostra”, “Pantanal” e “Renascer”, todas da TV Globo.
Nos últimos anos de vida, Ruy Barbosa se aposentou da escrita, mas deixou o legado para as filhas Edmara e Edilene Barbosa, além do neto Bruno Luperi, que atuam como roteiristas.
Quem foi Benedito
O dramaturgo nasceu no dia 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, interior de São Paulo, e foi o mais velho de cinco irmãos. Ele cresceu em uma área de cafezais na cidade vizinha, Vera Cruz, onde teve contato com imigrantes japoneses e italianos. O cenário de infância apareceria com detalhes na novela “O Rei do Gado”, de 1996, ambientada em fazendas de café.
Otávio Barbosa, pai de Benedito Ruy Barbosa, fundou e dirigiu o jornal “A Voz de Vera Cruz”, até a sua morte aos 29 anos, em 1942. A tragédia mudou a vida do autor, que precisou arrumar um emprego ainda menino para ajudar a mãe, Aurora Medeiros Barbosa. Ele conseguiu um trabalho como auxiliar de guarda-livros da firma comercial Antônio Perez.
Benedito Ruy Barbosa decidiu mudar sozinho para São Paulo em busca de melhores oportunidades e começou a estudar à noite e trabalhar durante o dia em um escritório da Antônio Perez.
Mais tarde, conseguiu trazer a família para a capital e morar com eles no bairro do Bom Retiro. Na época, completava a renda trabalhando como vendedor de verduras na feira e faxineiro em um banco.

Novelas marcaram época
As primeiras novelas de Benedito Ruy Barbosa foram ainda na década de 1960, com “Somos Todos Irmãos” e “O Anjo e o Vagabundo”, de 1966 – ambas exibidas na extinta TV Tupi.
A chegada à TV Globo aconteceu em 1971, quando o dramaturgo escreveu “Meu Pedacinho de Chão”. A inspiração veio da infância que teve nas cidades rurais. Em plena ditadura militar no Brasil, Barbosa acabou sendo vítima da censura do governo: a história sofreu alguns cortes, mas ele conseguiu negociar a manutenção de algumas cenas.
No entanto, o primeiro contrato de sucesso com a Globo aconteceu somente em 1976. Naquele ano, iniciou a carreira televisiva com “O Feijão e o Sonho”, das 18h. Logo em seguida, fez sucesso com “À Sombra dos Laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979).
Outros títulos de Benedito Ruy Barbosa foram “Paraíso” (1982), “Voltei pra Você” (1983), “De Quina pra Lua” (1985), “Sinhá Moça” (1986), “Vida Nova” (1988), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999).
Também teve passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu a novela “Os Imigrantes” (1981). Na TV Globo, sua última obra original foi “Velho Chico”, que se passava na região do rio São Francisco, e que foi ao ar em 2016.
Além da temática rural, Benedito Ruy Barbosa costumava ter especial apreço por histórias de imigrantes, como em “O Rei do Gado” e “Vida Nova”. O autor também prezava pelos romances. “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”, disse sobre Matteo e Giuliana, de “Terra Nostra”.
Além de autor de novelas, Benedito Ruy Barbosa trabalhou como repórter e revisor em jornais como “O Estado de S. Paulo” e “Última Hora”. Também teve passagens pela Gazeta Esportiva e atuou como redator publicitário da Radial Propaganda.

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