No último sábado, 11 de abril, as pesquisas e a descoberta do primeiro fóssil de dinossauro e Marília completaram 33 anos.

A marca histórica foi iniciada pelo paleontólogo William Roberto Nava, numa busca que começou por volta de 1989, quando ainda era bancário, e culminou com esse primeiro achado em abril de 1993.

A descoberta de fragmentos ósseos de um titanossauro em solo mariliense, algo inédito no Centro-Oeste paulista, colocou Marília nos holofotes do Brasil inteiro.

Um achado que teve grande repercussão, já que no início da década de 1990, os dinossauros começavam a ganhar mais fama devido ao primeiro filme da série “Jurassic Park”, e estavam – como estão até hoje – no imaginário das pessoas, das crianças, e viraram produto turístico e cultural em todo o mundo.

Essa primeira descoberta em Marília abriu uma janela para o passado, revelando uma nova região paleontológica para nosso país – até então desconhecida –, e a cidade se tornou também Terra de Dinossauros, com descobertas feitas posteriormente, como é do conhecimento público.

Com apoio da Prefeitura de Marília, William Nava atua na assessoria da Secretaria da Cultura e do Turismo desde 1996, sendo que a Prefeitura sempre mantém apoio às pesquisas, inclusive com a criação do Museu de Paleontologia, administrado pelo Município.

Mantido em parceria entre as Secretarias Municipais da Cultura e do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, o Museu de Paleontologia de Marília foi inaugurado em 2004 e é um dos principais equipamentos culturais, turísticos e científicos da cidade. Seu objetivo é promover a pesquisa paleontológica, preservar e divulgar os achados junto à população e à comunidade científica e estimular a presença de visitantes, sendo um dos principais do Estado com essa temática.

Como o paleontólogo já reunia um acervo de fósseis bastante considerável, isso que permitiu a criação, em novembro de 2004, do Museu, uma grande atração turística, científica e cultural para a cidade e região, pois se trata do único museu com exposição permanente de fósseis em todo o Centro-Oeste e Oeste paulista. Hoje, o Museu de Paleontologia de Marília é reconhecido em todo o Brasil e até internacionalmente, recebendo visitantes de todo o país, além de escolas e universidades, e possui parcerias técnico-científicas com diversas instituições e museus na identificação e descrição de fósseis.

No espaço, o público tem a oportunidade de tocar num fóssil verdadeiro de dinossauro, fotografar, e conhecer os relatos interessantes das descobertas: como aconteceram, e por que na região ocorrem tantos achados, além de ver outros fósseis, como os primitivos crocodilos Mariliasuchus e Adamantinasuchus, ovos fossilizados de crocodilos, fósseis de animais invertebrados, bem como adesivos/paleoartes retratando cenários hipotéticos de como era a região há milhões de anos.

Além disso, o Museu de Paleontologia também conta com duas réplicas em tamanho real, uma do Titanossauro, com cerca de 12 metros de comprimento e que fica na parte externa do Museu, e uma do Abelissauro, com 4 metros, instalada internamente, além de equipamentos tecnológicos, como um totem onde estão inseridas  informações sobre a ciência paleontológica e os animais que aqui habitaram,  óculos 3D de realidade virtual e QR Codes, que fazem o público interagir com o universo dos dinossauros.

“Celebrar os 33 anos da descoberta do primeiro fóssil de dinossauro em nossa cidade é reconhecer um capítulo muito especial da história de Marília. Esse momento vai além da ciência, ele representa identidade, memória e orgulho para toda a nossa população. O trabalho do paleontólogo William Nava é um exemplo de dedicação e paixão pelo conhecimento. Graças a essa iniciativa, Marília passou a ser reconhecida como um importante polo paleontológico, despertando o interesse de pesquisadores, estudantes e visitantes de todo o país. A cultura também se constrói a partir dessas descobertas. Seguimos comprometidos em apoiar e ampliar iniciativas que preservem esse patrimônio e aproximem cada vez mais a população desse legado tão rico. Marília é uma terra de dinossauros — e essa é uma história que merece ser contada e celebrada por muitas gerações”, disse a secretária da Cultura de Marília, Taís Monteiro.

Para o secretário municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Vitor Gazola, a comemoração dos 33 anos da descoberta do primeiro fóssil de dinossauro em Marília é motivo de grande orgulho para o município. Trata-se de uma história marcada por dedicação e perseverança, protagonizada por William Nava, que há mais de três décadas contribui para projetar o nome de Marília nos campos da ciência, da cultura e do turismo.

Dos fósseis descobertos em Marília

“O fóssil que descobri em 1993 estava no leito da estrada municipal Padre Nóbrega – Rosália, incrustado em rochas de arenito, expostos já há algum tempo. Compreendem um osso fossilizado com cerca de 80 cm de comprimento (escápula), além de fragmentos de costelas e moluscos bivalves. Me deparar, pela primeira vez com fósseis aqui na região foi indescritível, eu já gostava desse assunto desde adolescente, então foi uma realização pessoal, explicou o paleontólogo William Nava.

Os trabalhos de escavações de Nava se estenderam para outros pontos no entorno de Marília, e outras localidades e novos fósseis foram descobertos, como na estrada municipal ao distrito de Dirceu, na estrada do Pombo, no Vale do Rio do Peixe ao sul de Marília, em Pompéia, Oscar Bressane e mais a Oeste, nos municípios de Adamantina, Presidente Prudente e região, como também próximo a Lins. Em todas essas localidades o paleontólogo escavou e coletou fósseis de dinossauros (os titanossauros), crocodilos, peixes, e outros organismos preservados em rochas sedimentares.

Já em 2009,o pesquisador William Nava descobriu fósseis de um titanossauro nas margens da rodovia SP-333, entre Marília e Júlio Mesquita, que foram escavados em 2011 e 2012 em parceria com o Professor e Doutor Rodrigo Santucci, da UnB – Universidade de Brasília – e equipe, resultando na remoção de cerca de 60 a 70% do esqueleto desse dinossauro, que atualmente estão nessa universidade para estudos e identificação. Esse achado é considerado um dos mais completos titanossauros já encontrados no Brasil. A descoberta desse dinossauro, apelidado de Dinotitã, inspirou a novela da TV Globo “Morde & Assopra”, que foi ao ar em 2011.

Descobertas homenageiam paleontólogo

Algumas descobertas feitas pelo paleontólogo, após estudos por outros pesquisadores, acabaram por homenageá-lo, como o crocodilo Adamantinasuchus navae (UFRJ, 2006), o sapinho pré-histórico batizado como Mariliabatrachus navai (USP – SP, 2023) e a primeira ave da Era dos Dinossauros do Brasil, que recebeu o nome de Navaornis hestiae (Museu de Los Angeles, Califórnia, Prof. Dr. Luis Chiappe e equipe), na mais conceituada revista científica do mundo, a Nature, em 2024.

 “Muito em breve teremos outras novidades que irão destacar ainda mais o nome do Museu de Paleontologia de Marília e a paleontologia brasileira. São achados que trazem novas luzes ao entendimento sobre a fauna de vertebrados que habitou o Oeste paulista durante o Cretáceo, entre 70 e 80 milhões de anos”, finalizou William Nava.

Novo Museu

Em reconhecimento a esse trabalho amplamente consolidado, ao relevante acervo científico e ao crescente número de visitantes, o prefeito municipal anunciou a construção de um novo museu, mais amplo e moderno, que certamente representará mais uma importante etapa no fortalecimento desse legado e no desenvolvimento do turismo científico e cultural da cidade.

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