O crescimento de casos de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC) entre jovens tem
chamado a atenção de profissionais da saúde em todo o país. Dados recentes indicam uma mudança no perfil desses pacientes, com aumento significativo de ocorrências em pessoas mais jovens, muitas delas universitárias, o que acende um importante sinal de alerta para novos hábitos de risco.

De acordo com o médico cardiologista do Hospital Beneficente Unimar (HBU), Dr. Piero
Biteli, essa mudança está diretamente relacionada a comportamentos que vêm se
intensificando nos últimos anos, como o uso de cigarros eletrônicos, substâncias
estimulantes e hormônios sem acompanhamento médico. “Estamos observando um aumento relevante de eventos cardiovasculares em um público que antes não era considerado de alto risco. Isso tem relação direta com novos hábitos, especialmente o uso de cigarros eletrônicos, que cresceram de forma expressiva, mesmo sem regulamentação no Brasil”, explicou.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes, são proibidos no país desde 2009. Ainda assim, o consumo tem aumentado, impulsionado pela facilidade de acesso e pela falsa percepção de que são menos prejudiciais à saúde. Levantamentos recentes indicam crescimento superior a 30% no uso desses dispositivos em algumas regiões, principalmente entre jovens.

A Organização Mundial da Saúde alerta que os cigarros eletrônicos podem conter nicotina em altas concentrações, além de outras substâncias tóxicas que impactam diretamente o sistema cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão, inflamações e doenças cardíacas.

Outro fator preocupante é o uso indiscriminado de medicamentos estimulantes, como
anfetaminas, frequentemente consumidos para aumentar o desempenho acadêmico ou
prolongar períodos de estudo e lazer. “O uso dessas substâncias sem orientação médica
sobrecarrega o organismo. Quando associado a noites mal dormidas, consumo de álcool e
estresse, o risco cardiovascular aumenta significativamente, podendo levar a quadros
graves, como infarto e AVC”, destacou o Dr. Piero.

O especialista também chama atenção para o uso crescente de hormônios, especialmente
testosterona, muitas vezes motivado por padrões estéticos e pela busca de resultados
rápidos. Estudos indicam que o uso inadequado dessas substâncias pode provocar
alterações metabólicas, aumento da pressão arterial e maior risco de eventos trombóticos.

“Existe uma cultura crescente ligada ao desempenho e à estética que tem levado jovens a
adotarem práticas perigosas sem acompanhamento profissional. Isso tem impacto direto na saúde cardiovascular e explica, em parte, o aumento desses casos em faixas etárias mais baixas”, completou.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da conscientização e da adoção de hábitos saudáveis como forma de prevenção. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e acompanhamento médico são medidas fundamentais para reduzir os riscos e promover qualidade de vida.

“A atenção se dá, não apenas por parte dos profissionais de saúde, mas também da
sociedade como um todo, especialmente entre os jovens, que muitas vezes não se
percebem como grupo de risco, mas já estão sendo impactados por mudanças significativas no estilo de vida contemporâneo”, alerta Dr. Piero.

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